
Vivo em Tabriz, uma cidade histórica no noroeste do Irã, não muito longe das fronteiras com a Turquia e o Azerbaijão. Durante séculos, este lugar tem sido uma encruzilhada de culturas, comércio e ideias. O grande Bazar de Tabriz — um dos maiores mercados cobertos do mundo — ainda pulsa com comerciantes e artesãos cujas famílias negociam aqui há gerações. Nosso povo é majoritariamente turco-azerbaijano, orgulhoso de nossa língua, história e profundo senso de identidade.
Mas vivemos tempos difíceis. A guerra que se espalhou pelo Irã também chegou à nossa cidade. Recentemente, ataques militares atingiram instalações de mísseis perto de Tabriz, danificando bases e sacudindo bairros com explosões. As pessoas comentam as explosões em voz baixa nos mercados, sem saber o que o dia seguinte trará. Ao mesmo tempo, os protestos que começaram em todo o Irã no final de 2025, motivados por dificuldades econômicas e frustração política, também atingiram cidades como a nossa, provocando forte repressão e tensão em todo o país.
Apesar de tudo isso, a vida continua. Famílias se reúnem para o chá. Estudantes atravessam os portões da universidade. Lojistas abrem suas barracas no bazar todas as manhãs. Contudo, por trás da rotina, existe um anseio profundo — por liberdade, estabilidade e verdade. Muitos aqui se sentem presos entre as pressões da política, da tradição e da incerteza quanto ao futuro.
Como seguidor de Jesus em Tabriz, a fé é silenciosa e cautelosa. Os fiéis se reúnem em casas, oram em sussurros e confiam que Deus está agindo, mesmo quando parece estar oculto. Acredito que esta cidade — conhecida por suas revoluções e resiliência ao longo da história — ainda pode presenciar um despertar diferente, que começa não nas ruas, mas nos corações de seu povo.



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